sábado, 30 de março de 2013

Artilharia pesada.


'Temo, por que sei o que é capaz de fazer uma sociedade cruel que colabora com os calados e mal trata os que falam, eu temo por ela.'' - Pai

Minha filha, minha princesa
Agora escolhe suas vestes e o problema nasce ai.
Ela vestiu o simbolo da guerra, 
Embora nunca tenha sido delicada, 
nunca houve uma meiguice estampada,
Sempre de preto, 
Desleixada,
Mas hoje ela me assustou, 
Literalmente se amarrou, 
Amarrou seus coturnos
Temo que ali tenha seu destino traçado...
Libertou-se agora mas quem me garante
Quem me garante que seu futuro enleado não está?
Como as cordas daquelas botas.
O que será de minha filha?
Os ídolos dela morreram de overdose, até mesmo na guerra com a ditadura,
Minha filha não sofra tortura...
Temo, tempo,
O que me garante que ela volta dessa vida desnorteada?
Revoltada e encorajada
Ela vai e pior é que eu sei que não pretende voltar...
Não sem sair vitoriosa de lá,
Sem o que foi buscar,
Ela não teme a guerra,
Eu que temo por ela,
Sabe que me contraíra, 
Mas sabe onde quer chegar,
Só me resta rezar,
Esperar que os coturnos voltem cheios de barro,
Por mim quanto mais barro melhor quanto mais sangue pior...

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