terça-feira, 25 de junho de 2013

A peça saiu de cartaz.













Nós nos encaixávamos, não com aquela vontade carnal,
Não com aquela maldade tipicamente humana e adulta,
Mas sim como em uma dança, com uma musica, éramos crianças,
Você me compreendia e entendia todo o meu teatro,
Eu montei aquele espetáculo,
Eu vesti um papel romântico que nunca foi meu,
E quando você começou a acreditar eu simplesmente sai,
Sai da cena, desci do palco e resolvi andar por ai,
Eu montei e acabei com o espetáculo,
Então como se sente menino mimado?
Perdido? Triste? Decepcionado ou irritado?
Acho que penas contrariado, assim que eu queria ver você,
Sem ter coragem de botar a cara na rua,
Ter de admitir que não me conhece,
Que não sou sua posse,
Por vezes me decepcionei com você,
Hoje só não espero mais nada,
Como no teatro dei a peça por encerrada,

Cansei de atuar.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Suma!


Eu queria que você sumisse, simples assim, esquecer que você existe, fazer de conta que nunca te conheci, topa? Prometo que se te encontrar na rua não aceitarei um drink ou uma companhia na cafeteria. 
Se me ver, mesmo que ainda não tenha me esquecido, lembre-se do que agora lhe digo, não sente ao meu lado, nem ao menos me abane, e não se assuste se eu não demonstrar reação. Eu vou esquecer-te como um boneco velho, riscado, no fundo do armário, uma roupa que não serve mais.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A sorte dos pobres.



Há tanta gente no frio lá fora,
Gente que não sabe se espera a vida ou a morte,
Só sabem que demora,
E que dói,
Nesses casos quando a morte parece, é um refúgio,
Um lugar quente no inferno,
Reservado para pecadores que erraram,
Erraram em serem pobres?
Erraram por não serem ricos, nobres,
O abrigo da rua lhes abre portas, suicídio, homicídio, drogas,
A morte lhes dá abrigo,
Alguns acham que é sorte conhece-la logo,
Eles sedem e morrem,
Ninguém fica de luto,
Eles merecem a sorte de morrer
Mas não a sorte de ganhar um casaco velho que esta no fundo do seu armário,
Nem o dia do calendário interessa a eles,
Eles olham pra você e a policia vem te defender,
Passaram a noite fria de inverno na rua,
Com drogas na mão ele se iludia em um mundo diferente,
Você acha que a policia vai ter pena deles? Que vão cura-los?
Eu vi esse filme ontem,
Sabe como curaram eles?
Lhes deram a sorte dele,
A morte...



quarta-feira, 15 de maio de 2013

A estrela de esperança no céu nublado.


As vezes a saudade lhe transborda pelos olhos, 
As vezes à vejo sentar em frente ao portão com esperança nos olhos,
Ele nunca vem...
Tudo bem, talvez não seja hoje, 
Mas promete que amanhã ele vem?
Os adultos a olham com pena,''Ela ainda espera ele? Pobre pequena...’’
Todo dia ela sente falta dele,
Do tom da voz dele, 
Aquele abraço era quente, 
Ela confiava que ele nunca iria partir,
Todo dia no olhar da moça vejo uma criança,
Que sente falta da velha infância, 
Ah se ela soubesse que ele partiria,
Tanta coisa mudaria...
Eu a vejo acordar e a ouço exclamar saudade,
O coração dela não é tão rígido quanto parece
Ela só cansou de perder, 
De procurar e não achar,
De esperar e nunca vê-lo chegar,
Triste e desprotegida ela se fechou para a dor sarar,
Com falta de ar de tanto soluçar,

Eu a vejo afastar-se do portão com os olhos cheios d’água,
Não aguento mais ver tristeza naquele olhar,
Ela sabe que não há como ele voltar,
Teimosa ela nunca aceita, não se conforma,
Rejeita a ideia de tal forma que o imagina aqui,
Só a possibilidade já a faz sorrir,
Dorme como criança esperando ele entrar pela porta, 
Acho que vou ter que contar de novo a história da estrelinha,
Mas tenho medo que ela passe a noite na rua, sozinha,
Olhando o céu a procurar o rosto dele,
Ao dia ficaria triste sem estrelas,
A noite passará devagar pra ela que fica na agonia de encontra-lo,
Quando o Sol voltar ela ficará com o coração pequeno e o olhar cabisbaixo,
Sei que logo mais ela voltará ao portão,

Vai ser um tombo e tanto descobrir tal informação
Tenho que admitir minha filha não adianta esperar
Esperar tal milagre é em vão,
A viagem dele é só de ida, ele não volta não,
Com a partida dele você à de se conformar,
''Mãe se saudade sentir, no céu pode me enxergar...''
Eu não entendi fui dormir achando que ela estava confusa,
Foi um dia difícil,
Mas na manhã seguinte eu pude entender,
Como ela também não ei de me conformar,
Mas hoje eu sei,
Ela resolveu partir na intenção de o reencontrar...

domingo, 7 de abril de 2013

Um novo mundo.



Ela precisa de um lugar seu, ela já não cabe naquele espaço. Ela precisa de um lugar com seus vícios estampados na parede, com seus bichos pelo corredor, com café na cafeteira e mesmo sem nada na geladeira ela seria bem feliz...
Não é rancor ou amargues, mas ela quer voar pra longe, é muito mais fácil cuidar e preservar seu mundo sem ninguém o invadindo de cinco em cinco minutos.
Ela precisa do mundo dela, do lugar dela, ela precisa de idade sua agonia só o tempo pode curar. Esse ai não adianta nem tentar apressar, o tempo anda devagar pra quem tem pressa.
Eu estou no aguardo para ver o dia em que ela vai explodir confundindo a cabeça de todos a sua volta, o dia em que o que esta por dentro dominará o que está por fora, incontrolável ela vai ser motivo de falação alheia, motivos de criticas e difamações, e talvez nunca alguém venha a entender o porquê daquela explosão...

sábado, 30 de março de 2013

Artilharia pesada.


'Temo, por que sei o que é capaz de fazer uma sociedade cruel que colabora com os calados e mal trata os que falam, eu temo por ela.'' - Pai

Minha filha, minha princesa
Agora escolhe suas vestes e o problema nasce ai.
Ela vestiu o simbolo da guerra, 
Embora nunca tenha sido delicada, 
nunca houve uma meiguice estampada,
Sempre de preto, 
Desleixada,
Mas hoje ela me assustou, 
Literalmente se amarrou, 
Amarrou seus coturnos
Temo que ali tenha seu destino traçado...
Libertou-se agora mas quem me garante
Quem me garante que seu futuro enleado não está?
Como as cordas daquelas botas.
O que será de minha filha?
Os ídolos dela morreram de overdose, até mesmo na guerra com a ditadura,
Minha filha não sofra tortura...
Temo, tempo,
O que me garante que ela volta dessa vida desnorteada?
Revoltada e encorajada
Ela vai e pior é que eu sei que não pretende voltar...
Não sem sair vitoriosa de lá,
Sem o que foi buscar,
Ela não teme a guerra,
Eu que temo por ela,
Sabe que me contraíra, 
Mas sabe onde quer chegar,
Só me resta rezar,
Esperar que os coturnos voltem cheios de barro,
Por mim quanto mais barro melhor quanto mais sangue pior...

segunda-feira, 25 de março de 2013

C(i)nderel(a) por en(g)an(o).



Ir justamente ao mesmo dia que você, na mesma festa, mas tudo bem não nos conhecíamos, mas acabamos no conhecendo.
Trocamos sorrisos, beijos, abraços, mãos dadas, telefones e por fim nos despedimos.
Da noite raiou o dia, e nos separamos como na história da Cinderela, mas não deixei o sapato em plena Saba , eu nem tinha prestado muita atenção em você mas quando acordei foi de você que eu lembrei.
Pouco tempo depois chegou uma mensagem no celular, achei que era você, respondi e não veio resposta, acho que você perdeu o celular, pois a única vez que tive coragem de te ligar o celular estava desligado. Eu perdi o celular com seu número gravado, nos perdemos...
Será que só daqui a um ano vamos no ver?  Vamos nos reconhecer? 
O destino se contradiz, nos apresentou, nos uniu e por fim nos separou com gosto de quero mais.
Seria puro destino? Iago, acho que ainda sei seu nome, mas me pergunto se você também lembra do meu...
Só me resta esperar alguma noticia sua e continuar a esperar  o ano se passar para em fim ter alguma chance de te encontrar de novo.